empoderamento feminino mandou o racismo capilar para o espaço. De indesejáveis que exigiam alisamento, os cabelos cacheados passaram a ter sua beleza cultivada nos últimos tempos. Tanto que as duas últimas ganhadoras do concurso Miss Brasil, em 2017 e 2016, do Piauí e do Paraná, respectivamente, abandonaram o alisamento.

Na internet, multiplicam-se os espaços que enaltecem os cabelos volumosos e crespos, que ainda trazem dicas de beleza específicas para essas mulheres.

Um desses espaços é o canal no site Youtube de Rayza Nicácio. Em um de seus vídeos, ela comenta o quanto esse processo de aceitação mudou a vida dela.

“Estava sempre dependendo de química de relaxamento, odiava volume, isso foi a partir de muitos conceitos e preconceitos criados na nossa cabeça”, conta em um de seus vídeos.

Ela ainda relembra a noção comumente aceita sobre os cabelos crespos. “Coitadinha” da menina que nasceu com o cabelo cacheado, pelo menos, graças a Deus, vai poder fazer o alisamento algum dia, resume o sentimento.

“Era assim que eu me via em toda a minha vida. Eu tinha muito preconceito com o meu tipo de cabelo, com o meu volume, com todas essas coisas. Transição capilar é uma fase muito difícil, mas proporcionalmente libertadora e necessária”.

Outra a libertar a essência de suas suas madeixas foi a assistente administrativa Marisa Fernandes, de 33 anos. Desde os 15 anos ela alisava o cabelo, mas decidiu passar pelo processo de transição capilar — quando a mulher espera o cabelo natural crescer até sair toda a química. Um dos motivos para isso foi a queda de cabelo que ela passou a ter devido aos tratamentos químicos aos quais se submetia.“Era assim que eu me via em toda a minha vida. Eu tinha muito preconceito com o meu tipo de cabelo, com o meu volume, com todas essas coisas. Transição capilar é uma fase muito difícil, mas proporcionalmente libertadora e necessária”.

Apesar do prejuízo, foi aí que Marisa percebeu o quanto o seu cabelo natural combinava com o formato do seu rosto e também era sinônimo de beleza.